segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Killing me softly

Status: paroxetina 20mg, venlafaxina 150mg, propanolol 10+10mg, lítio 800mg.

O tipo que descobriu a venlafaxina é um grande homem. Nunca antes um antidepressivo tinha feito efeito em mim, e só descobri isso quando descobri esta preciosidade. Dos 75mg passei aos 150mg, e aguentei-me como uma pessoa perfeitamente normal uns meses. Até deixar de fazer efeito.

Entrou em cena a bupropiona 150mg. E saí de cena eu. Porque nunca antes um antidepressivo me tinha dado efeitos secundários tão graves.

Voltei à venlafaxina, 225mg. Nada de melhorias, mas pelo menos estava bem fisicamente.

Hoje, neste momento, estou a ressacar. Parei a venlafaxina 225mg de um dia para o outro, e de todos os efeitos de descontinuação possíveis não houve um que me escapasse. Mais 30 dias a tomar 150mg, até ver se a paroxetina funciona.

O propanolol não funciona como ansiolítico, não se deixem enganar. Sim, baixa a tensão e o ritmo cardíaco, e sim impede a taquicardia proveniente da ansiedade. Mas nunca na vida vai ser um ansiolítico. Que venha o mexazolam ou o loflazepato de etilo outra vez.

A única coisa de que não me posso queixar é o lítio. Está na dose certa, a fazer efeito. Agora que estou estável posso afirmar que nunca na vida quis tanto estar sob o efeito dele e ao mesmo tempo ver-me livre de todas as drogas que tomo.


Isto pode tudo parecer muito técnico, mas tem as suas razões. Em primeiro lugar, estou incapaz de articular um discurso que não inclua palavrões médicos, porque as minhas emoções estão completamente baralhadas. Segundo, de que serve o meu paleio não técnico a alguém que está a sentir-se tal e qual como eu? Tomara eu saber que esta ressaca ia durar tanto tempo, e que me ia sentir tão mal. Antes estivesse deprimida mas fisicamente bem.  "Cansaço, tonturas, sensação de cabeça vazia, dor de cabeça, insónia, pesadelos, boca seca, perda de apetite, náusea, diarreia, nervosismo, agitação, confusão, zumbido nos ouvidos, formigueiro ou raramente sensação de choques eléctricos, fraqueza, suores, ataques ou sintomas tipo gripe" - tive tudo. Já lá vão 5 dias desde que começaram e hoje foi sem dúvida o pior dia.

Mas o meu futuro com a paroxetina não me parece muito mais brilhante. Merda para a disfunção sexual. Merda para as equimoses. Nunca pensei que estas coisas fossem tão más. E merda para o resto dos efeitos secundários, merda para as náuseas, merda para as tonturas, tremores, cansaço, insónias, agitação, sonolência, fraqueza, visão turva, distúrbios sensoriais, merda para tudo!

Merda para esta doença, que me está a matar lentamente.

terça-feira, 9 de junho de 2015

1 ano e tal mais tarde... (Parte 1)

...a merda continua.

Vamos a coisas práticas em primeiro, sim?

Desde os últimos posts, já lá vai coisa de um ano, passei por várias dosagens de fluoxetina, amitriptilina, fluvoxamina, mexazolam, loflazepato de etilo, topiramato, risperidona e quetiepina, cada um com os seus "magníficos" efeitos secundários, mas a maioria a fazer qualquer coisinha por mim. Passei também por vários médicos, psicólogos, psiquiatras, cada um com as suas manias, mas a maioria a fazer qualquer coisinha por mim.

Só que não.

Por volta de Outubro do ano passado, o meu novo médico, que me tinha já acompanhado durante pelo menos meio ano, disse qualquer coisa como: "Se eu já troquei os ingredientes todos ao cocktail e continuas a não ficar embriagada, então não é o cocktail que está mal feito, és tu que não és capaz de ficar embriagada". O que é o mesmo que dizer que se já tomei tudo aquilo que me deveria tratar a depressão e a depressão não é tratada, então o problema não é da medicação, sou eu que não tenho a depressão.

Doença bipolar. Ou em termos mais técnicos, Psicose Maníaco-Depressiva.

Por um lado, fiquei aliviada de perceber porque é que não estava a melhorar. Por outro, fiquei a saber que tenho uma doença considerada crónica, e que poderei estar dependente de medicação e análises mensais ao sangue para o resto da vida.

O que é certo é que parou a medicação toda, e novo tratamento: venlafaxina 75mg, loflazepato de etilo 1+1mg, lítio 400mg. E nem duas semanas depois, os sintomas depressivos com que vivi nos últimos anos passaram. E eu fui capaz de mudar a minha mentalidade: afinal é possível viver com uma doença mental. Basta ver o lado positivo das coisas. Há sempre um lado positivo para tudo, mesmo que o negativo seja muito maior. Mas há sempre algo de bom que vem com o mal. Ainda hoje mantenho essa mentalidade que ganhei em Novembro e fui amadurecendo nos últimos meses. As doses da medicação foram aumentando, é certo, mas o tratamento mantém-se, e tirando uns problemas relativamente menores que tenho tido ultimamente, pelo menos a doença está estável, e é raro ter uma crise depressiva.

Darei continuidade a este post no próximo, só para fazer consistência com o paralelo dos acontecimentos.

A vossa (regressada),
Mirabelle Scaffold

sábado, 23 de maio de 2015

O TEDxAveiro inspirou-me e ainda nem acabou

"Nos momentos de desânimo, que eram a maioria, dizia para comigo que, se alguma coisa me havia de libertar dali antes que um surto de tuberculose o fizesse, seria a literatura, e se alguém tinha comichão na alma ou nas partes pudendas, cá por mim, podia coçá-las com um tijolo."
- Carlos Ruíz Zafón, O Jogo do Anjo

Resumindo, vou voltar a escrever. Tenho de voltar a escrever.