...a merda continua.
Vamos a coisas práticas em primeiro, sim?
Desde os últimos posts, já lá vai coisa de um ano, passei por várias dosagens de fluoxetina, amitriptilina, fluvoxamina, mexazolam, loflazepato de etilo, topiramato, risperidona e quetiepina, cada um com os seus "magníficos" efeitos secundários, mas a maioria a fazer qualquer coisinha por mim. Passei também por vários médicos, psicólogos, psiquiatras, cada um com as suas manias, mas a maioria a fazer qualquer coisinha por mim.
Só que não.
Por volta de Outubro do ano passado, o meu novo médico, que me tinha já acompanhado durante pelo menos meio ano, disse qualquer coisa como: "Se eu já troquei os ingredientes todos ao cocktail e continuas a não ficar embriagada, então não é o cocktail que está mal feito, és tu que não és capaz de ficar embriagada". O que é o mesmo que dizer que se já tomei tudo aquilo que me deveria tratar a depressão e a depressão não é tratada, então o problema não é da medicação, sou eu que não tenho a depressão.
Doença bipolar. Ou em termos mais técnicos, Psicose Maníaco-Depressiva.
Por um lado, fiquei aliviada de perceber porque é que não estava a melhorar. Por outro, fiquei a saber que tenho uma doença considerada crónica, e que poderei estar dependente de medicação e análises mensais ao sangue para o resto da vida.
O que é certo é que parou a medicação toda, e novo tratamento: venlafaxina 75mg, loflazepato de etilo 1+1mg, lítio 400mg. E nem duas semanas depois, os sintomas depressivos com que vivi nos últimos anos passaram. E eu fui capaz de mudar a minha mentalidade: afinal é possível viver com uma doença mental. Basta ver o lado positivo das coisas. Há sempre um lado positivo para tudo, mesmo que o negativo seja muito maior. Mas há sempre algo de bom que vem com o mal. Ainda hoje mantenho essa mentalidade que ganhei em Novembro e fui amadurecendo nos últimos meses. As doses da medicação foram aumentando, é certo, mas o tratamento mantém-se, e tirando uns problemas relativamente menores que tenho tido ultimamente, pelo menos a doença está estável, e é raro ter uma crise depressiva.
Darei continuidade a este post no próximo, só para fazer consistência com o paralelo dos acontecimentos.
A vossa (regressada),
Mirabelle Scaffold
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