Mais uma vez, fui medicada sem terapia de acompanhamento, apenas umas "consultas de reavaliação" de quando em quando.
Fui chamada à atenção por uma amiga, vamos chamar-lhe Daniela (nome fictício, assim como o meu e todos os nomes que vierem a aparecer daqui em diante), de que os medicamentos só por só não me vão fazer nada. Consultei-a a ela porque é estudante de medicina, e sempre se interessou pela área da psiquiatria, por isso confio mais nela do que em qualquer outro amigo meu nestas questões.
De qualquer modo, concordo com ela nesse ponto. Acho que os meus problemas mais depressa se resolviam com alguma terapia, alguma conversa, do que só à base de produtos químicos. Não me interpretem mal, eu confio nos medicamentos a partir do momento em que não me estão a fazer mal nem a provocar efeitos secundários, mas acho que meia dúzia de moléculas a mexer com as minhas sinapses, por muito bem que façam o trabalho delas, não me vão fazer esquecer tudo aquilo por que passei, nem todos os problemas que me atormentam.
O que me dizem é que os antidepressivos me dão "espaço de manobra para re-organizar a minha vida". Deduzo por aí que não estou em terapia porque a psiquiatra que estava na urgência do hospital quando lá fui acredita que sou capaz de o fazer sozinha. E talvez até seja, mas era muito mais fácil explicarem-me isso do que me deixar deduzir isso sozinha enquanto escrevo um texto para um blog que criei para substituir um psicólogo fraudulento ou um psiquiatra com tempo muito limitado e preços elevadíssimos.
Mas também o mais provável era não dar conversa ao psicólogo fraudulento ou ao psiquiatra com tempo muito limitado e preços elevadíssimos, porque como já devem ter reparado tenho uma má ideia dos psicólogos e acho que os psiquiatras na sociedade em que estamos têm mais que fazer do que ouvir os meus devaneios.
E suponho que quem quer que esteja a ler isto me esteja a achar uma miúda presunçosa a querer atenção, mas por favor não interpretem isto dessa maneira. Eu sou boa pessoa, a sério que sou. Só desenvolvi um bocado o meu ego porque me isolei da sociedade em geral. Mas isto passa com o tempo.
Mas voltando ao ponto inicial, criei este blog como forma de terapia.
Porque sempre que me tento expressar frente a outra pessoa, seja psicólogo, psiquiatra, uma amiga, ou mesmo o meu professor de Física mesmo antes do exame de Biologia Celular, a coisa corre mal e eu digo 3 ou 4 das palavras que intendia dizer, por entre soluços e uma intensa crise de choro, em vez de fazer um diálogo (mais ou menos) coerente como o que para aqui vai. Embora este diálogo seja um monólogo.
Suponho que sou melhor a monologar.
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