Faz hoje uma semana que fui à urgência psiquiátrica do hospital.
Ou seja, faz hoje uma semana que comecei os antidepressivos. Outra vez.
Não tive boas experiências com antidepressivos quando os tomei pela primeira vez. Também achei um exagero porem uma miúda de 16 anos a tomar Cipralex.
Foi horrível. Comecei com a dose mais baixa, e logo nessa noite tive pesadelos, insónias, dores de estômago e tripas afins. Fui à cozinha às 3h da manhã fazer um chá. Foi difícil descer as escadas com os tremores e a fraqueza. Quando cheguei à cozinha, vi pessoas. Pessoas até simpáticas, a andar pela minha cozinha às 3h da manhã como se andassem em plena cidade em hora de ponta. Apareciam tão depressa por uma parede como desapareciam pela outra. Estavam com pressa, porque estava a chover torrencialmente. Eu também estava coberta em água, mas no meu caso eram suores frios causados pelos malditos comprimidos. Despedi-me das pessoas com um "bom dia" e voltei para a cama, para passar o resto da noite a tremer tanto quanto os pacientes que têm convulsões em Dr. House ou Anatomia de Grey.
No dia seguinte já não os tomei. Convenci-me de que estava óptima, que tinha mais dias bons do que dias maus, que não precisava de comprimidos para nada. Adiei as idas ao médico para não ter de falar sobre isso. Basicamente, escondi o meu problema.
Porque eu tenho um problema. Eu sei que tenho. E por muito que o tente esconder, por muito boa actriz que eu seja durante o dia, à noite tudo se desmorona à minha volta, tudo desaba em cima de mim.
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