Há semanas que não me conseguia concentrar, por muito que tentasse. Mas hoje, em plena época de exames, sinto-me feliz por ter conseguido fazer uns meros 8 exercícios de física sem me preocupar com absolutamente mais nada. Por coisa de meia hora esqueci tudo, todos os problemas, todas as preocupações, e especialmente aquele aperto no peito que dói tanto, mas tanto...
O estudo, que até há pouco tempo era o meu escape para tudo, deixou de ser um escape para passar a ser uma preocupação. Porque se não passo estou a gastar (muito) dinheiro em propinas, porque se não passo me cortam a bolsa, porque se não tenho boa nota não posso fazer as pós-graduações que tanto quero fazer. Principalmente porque se não for bem sucedida sinto que estou a desiludir todas as pessoas que acreditaram em mim desde que entrei para a escola primária e fiz o 1º ano em duas semanas.
Eu quero ser bem sucedida. Eu tenho de ser a melhor. Porque eu tenho capacidades mais do que necessárias para estar entre os melhores, e fico frustrada quando não atinjo nem metade do meu potencial. Sinto-me mal quando um professor me diz que a culpa do meu insucesso à disciplina dele é não estudar, quando eu sei perfeitamente que não é isso. É a dor, o aperto no peito, a própria ansiedade de viver, que me condiciona cada movimento que faço no dia-a-dia. É isso que me impede de estudar, de me concentrar em qualquer tarefa, e até de ler por prazer. Eu devorava livros enormes em muito pouco tempo, e agora não consigo sequer ler. Porque dói estar a ler enquanto há tanta coisa no mundo mais importante e urgente para fazer, e o tempo é tão curto.
E o pior é que embora a dor seja física, eu sei que está tudo na minha cabeça. E isso faz com que doa ainda mais.
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