terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Stress

As minhas aulas de Biologia Humana e Saúde são úteis para descobrir coisas sobre mim.

Quando era pequena, vi em minha casa um folheto sobre Stress. Era uma série de folhetos sobre saúde, e quando li sobre o stress não percebi porque é que era considerado uma doença. Muito menos percebi porque é que davam tanto ênfase à tal "doença" que não me parecia assim tão grave.

"If stress becomes chronic or out of proportion, this may progress to mental strain, anxiety, insomnia and exhaustion, raised breathing rate and even panic attacks." - slides da aula

Não tinha a noção da dimensão que o stress ia ter nos dias de hoje. Há 10 anos atrás, não fazia a mínima ideia de que ia sofrer tanto com esta doença que hoje em dia é tão mainstream.

Voltando ao "Diário de uma doente psiquiátrica", estou a dever-vos um longo post sobre a passada semana. Mas não vai ser agora. Agora vou aprender mais sobre stress.

EDIT: já nas aulas de Fisiologia não se aprende grande coisa...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A sério

que vou escrever outra vez um dia destes. Mas acreditem que é difícil quando não tenho nada de que procrastinar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Acho que devia mesmo escrever qualquer coisinha,

dado que não tenho vindo aqui nos últimos tempos. Aconteceram coisas interessantes. Amanhã conto-vos, hoje quero dormir. Até amanhã. Boa noite. Durmam bem. Sonhos cor-de-rosa às risquinhas pretas.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Random ramblings because I am the Special One.

Olá pessoas estranhas potencialmente perigosas mas talvez até não da internet.

Aparentemente ando a ter fases por causa dos medicamentos. Foi o que a Carla me fez perceber ontem ao telefone. A Carla é uma colega de trabalho do meu progenitor, que toma a mesma medicação que eu e tem uma depressão porque perdeu um filho. Não me vou estender na descrição da vida dela, porque o ponto fulcral aqui é que ela é muito mais velha que eu, tem muito mais experiência de vida, e sabe como funcionam estes medicamentos e estas choradeiras parvas. Ela compreende. Porque já passou pelo mesmo, ela compreende.

Depois daqueles dois, três dias em que ria e chorava e ficava em estado completamente normal em menos de 3 minutos, estou a ter dias diferentes. Não vou dizer piores, porque pelo menos as choradeiras incontroláveis e intermináveis pararam. Não vou dizer melhores, porque tenho de ter muito controlo em mim mesma até esta fase passar.

Eu ando eléctrica e extremamente impulsiva. Ontem acordei e decidi: "hey, vou virar a minha cama ao contrário!", por isso agora tenho os pés da cama encostados à parede e a cabeça da cama no meio do quarto. O meu progenitor só se riu, acho que foi uma reacção positiva perante toda a minha estupidez. Depois começou a chover e pensei: "hey, vou passear o cão!", por isso fui passear o cão. À noite por acaso encontrei o meu ex-namorado, coisa que durou 3 anos, e pensei "hey, vou agarrá-lo e espetar-lhe um beijo!". Má ideia. Muuuuuito má ideia. Ele, obviamente, recusou-me (embora eu estivesse convencida de que ele iria ficar outra vez perdidamente apaixonado por mim), e eu comecei a chorar. Não pela recusa, mas por ter sido contrariada. Porque a minha parte irracional dizia-me que eu tinha de o agarrar e espetar-lhe um beijo, e a minha parte racional dizia que isso era um erro e era estúpido e provavelmente ia contra a vontade dele, e este choque interno causa-me dor.

Por outro lado, também me sinto excêntrica. Comecei a andar de baton vermelho escandaloso e muuuito anos 60. Tenho de comprar um vermelho mais actual. E de preferência de longa duração, porque eu esqueço-me que o tenho e limpo a boca parvamente cada vez que como qualquer coisinha e lá se vai o baton todo e é uma desgraça.

Conheci melhor hoje a nova "amiga" do meu progenitor. Não me parece ser nem de longe tão cabra como a anterior que me fez da vida um inferno. Talvez até seja mesmo boa pessoa. Mas tenho de avaliar isso melhor em futuros encontros.

Amanhã vou fazer análises ao sangue para ver se o meu vegetarianismo súbito não me está a matar lentamente. Também gostava de saber se o meu colesterol melhorou, porque da última vez estava mesmo nos limites e eu não quero ter colesterol além de ser clinicamente maluca.

Hoje vi o Mourinho na tv e estou a responder a toda a gente em inglês exactamente da mesma maneira que ele fala. Porquê? Porque me dá um gozo tremendo e eu hoje sinto-me excêntrica.

E ok, acho que é isto, até uma próxima.

(Nota: há a possibilidade de o meu progenitor ler isto. Que fique bem assente que eu não tinha intenções de voltar para o meu ex, foi só um impulso causado pelos medicamentos. Podes arrumar a caçadeira na garagem outra vez, a tua filha ainda há de estar solteira por muito tempo até arranjar um homem que ature esta maluqueira toda.)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Coisas em inglês.

These have been a crazy bunch of days.

I don't really remember the last time I wrote something here. All I remember is I was happy. For a few days, I was happy and I thought the meds were finally working.
But since classes started, I've been feeling like shit. Not constantly, but often. Too damn often, if such thing exists. I cry because of every single thing. I cry because my friends are happy. I cry because one of my best friends has a new boyfriend and they look cute together. I cry when someone asks me when is our course meeting to discuss our classes. I cry because of everything. And then I laugh. Because it's stupid to cry for such things, and other people laugh because I cry for those things. So I cry and laugh at the same time. And then when I stop laughing, the crying also stops. And if someone counts down from 5, I cry at the end. And then laugh. And this keeps repeating over and over again.

Yesterday night I spent quite some time talking to Mark.
Mark is a guy I know from an online game, and I actually don't know if that's his real name or if he really is 19 years old, or if he really is Irish. I just know I talk to him on almost a daily basis, but never about me. Mainly we talk about the game.
Except a few days ago we went in-game crazy and got in-game married. And since then we've talked more often. And last night, instead of talking in the clan chat with everyone else, we went on an in-game date. He took me to a place no one goes to, and we sat down on the floor, and we talked for hours. And I don't care if he's not 19 or if he's not Irish or if his name isn't even Mark, because he stayed there with me for hours, and listened to my problems, and respected me. And I love that about him, whoever he is in real life.
We also talked about movies, and series, and cultural differences, and language differences, and everything we could think about.
I just hope we can have another in-game date some time in the future, because it really kept me from thinking of my own problems.

And that helped.

And that might be the reason I just wrote everything here in English right now.

Hoje preciso de dormir.

Amanhã ou quando deixar de estar exausta escrevo qualquer coisa.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Olá, como têm passado?

Olá pessoas que vêm aqui parar por acaso e fecham logo o blog.
Olá pessoas que vêm aqui parar por engano.
Olá pessoas que deram com isto por acaso e até se decidiram a ler alguma coisa.
Olá pessoas que vieram aqui propositadamente ler alguma coisa.
Olá pessoas que me pediram o link para aqui e me conhecem e se preocupam comigo.
Olá.

Nos últimos dias não tenho sentido muita necessidade de vir aqui escrever. Nem hoje sinto, mas acho que vos devo algum sinal de vida. Não sei se alguém reparou, mas mudei a descrição do blog. Acho que é capaz de afastar menos pessoas assim. Nem sei se alguém lê mesmo isto, mas o blogger diz que tenho 99 visualizações este mês, e suponho que nem todas sejam minhas, até porque lhe disse para parar de me contabilizar como uma pessoa querida e fofinha que vem ao meu blog. Mas mesmo assim, volto a repetir, acho que vos devo pelo menos um sinal de vida.

(Um aparte aqui: eu imagino-vos como uma grande multidão à minha frente, sentados a observar-me, enquanto eu estou num palco a escrever estas coisas numa máquina de escrever daquelas antigas. Por acaso é o salão do centro paroquial da minha terra, acho que é parecido. E estamos todos em silêncio enquanto eu escrevo, porque estão a ler em tempo real. E assim não preciso de chorar, soluçar, ou sequer corar enquanto digo as coisas que aqui digo. Porque eu escrevo-as e vão directamente para as vossas mentes. E apesar de estar num palco à vossa frente, não vêem as emoções por que passo enquanto escrevo. Acho que é um palco metafórico. Não sei. Deve ter algum significado no meu subconsciente. Não faço ideia. Adiante.)

Nos últimos dias tenho-me sentido bastante bem. Diria que é por estar de férias, mas normalmente quando estou de férias fico com mais tempo para pensar na vida, ergo mais deprimida. Suponho que os comprimidos estejam a começar a funcionar. Também já não era sem tempo, já lá vão 20 dias.

Hoje falei com o Guilherme sobre o nosso futuro como biólogos. Agora não me lembrava que nome lhe tinha dado, mas tenho quase a certeza que foi Guilherme. Anyway, falámos de estágios e trabalhos no estrangeiro. Os sonhos dele passam por estudar tubarões e tartarugas marinhas longe daqui. Eu já me conformei (mais ou menos) com o facto de que daqui a meia dúzia de anos todos os meus amigos da universidade vão estar espalhados pelo mundo a fazer contribuições (mais ou menos) importantes para a ciência. E então lembrei-me que enquanto eles vão estar a viver os sonhos deles em São Tomé ou no Brasil, eu provavelmente vou estar num hospital a fazer quimioterapia. Por isso fi-lo prometer que quando isso acontecer, ele larga as tartarugas e vem uma semaninha visitar-me. Ele diz que vem, e até vem com rastas no cabelo. Ri-me muito mas muito aí. Porque ele e rastas, nunca. Never ever ever.
Entretanto, não sei bem como, começámos a planear as nossas mortes. Eu já lhe disse e vou deixar escrito aqui: no meu funeral, quero os meus colegas de curso trajados, de luto. Pelo menos os que forem. Trajados. Porque a vida académica está a ser importantíssima para mim, e eu nem costumo sair à noite nem nada, limito-me a ir às praxes, jantares de curso, e a sentir a academia em mim quando ouço as tunas.
Porque
"Aveiro dos estudantes,
Vidas cintilantes,
Não vamos esquecer
Que seremos teus amantes
Até morrer
Até morrer
Até morrer."

Mas hoje senti-me bem. Senti o apoio do Guilherme, senti o apoio da Raquel, senti o apoio da Patrícia, que foi minha colega do secundário e ainda não vos apresentei mas hoje lembrou-se de mim.
E amanhã vou ligar à Isabel, que também não vos apresentei, mas é a minha responsável no centro onde faço voluntariado para ganhar a minha bolsa de estudo. Já não falo com ela há muito tempo, mas estou a precisar, porque ela sempre me disse que sempre que precisasse bastava dar-lhe um toque e improvisávamos uma "reunião de trabalho" num restaurante ou num café, e acho que ela não faz ideia de metade do que vai na minha vida neste momento, porque não vou ao centro desde que fechou para férias no Natal. Entretanto exames, vegetarianismo, psiquiatria, não falo com ela há eternidades. Amanhã ligo-lhe para combinar qualquer coisa, se ela tiver com quem deixar as filhas.

Mas mais uma vez são duas e meia da manhã e eu aqui. Tenho de criar uma rotina decente. Agora escrever vai ter de ser durante o dia, senão prolongo-me demais. Por isso agora vou acabar isto fazendo uma síntese rápida dos momentos da minha vida nos últimos dias: fiz uma lasanha gigante, ainda sobrou para amanhã; consegui horário para o 2º semestre, o que é um alívio; respondi a muitos mails e tratei de vários assuntos relativos à comissão de curso da minha licenciatura; vou escrever uma série de livros com o Guilherme sobre as nossas duas épicas personagens, mas falo mais disso num próximo post; tenho visto muitos filmes que me fazem pensar, e as minhas séries do costume para descomprimir. E pronto, acho que é isto. Já tenho texto aqui para me ausentar mais uns dias.

Obrigada por lerem tudo, ou por pelo menos tentarem.

A sempre vossa,
Mirabelle Scaffold

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Um único pequeno maravilhoso vegetabilizável dia de férias

Hoje fiz questão de passar o dia a vegetabilizar. Mas um bom vegetabilizar, um vegetabilizar de livre vontade. Porque os exames acabaram ontem, hoje estou de férias, e amanhã já tenho muito que fazer até as aulas começarem daqui a 5 dias. De modo que hoje é o meu dia de férias, e tem de ser bem aproveitado até eu ir dormir, porque o dia só acaba quando eu adormecer e hoje ainda é 5 de Fevereiro, com uma incerteza física de 50 minutos.

Dormi a noite toda no sofá com a cadela, já que o meu progenitor não me deixa trazê-la para o meu quarto. Acordei cedíssimo, porque o resto do pessoal de casa sai por volta das 8h, por isso às 7h30 estava a pé. (Além disso, esqueci-me de desligar o alarme das 7h30, mas não digam a ninguém para não me fazer passar uma vergonha em frente a toda a gente.)

Levantei-me, levei a cadela lá fora para necessidades fisiológicas e afins, voltei para dentro, vesti o pijama (sim, porque já que durmo no sofá em forma de protesto, durmo vestida!), e fiz panquecas. Tenho feito muitas panquecas ultimamente. Sempre quis comer panquecas, mas nunca tive ninguém que me fizesse panquecas. Aprendi a fazer panquecas com uma receita do meu novo livro de cozinha vegetariana. Chama-se "The Hungry Student Vegetarian Cookbook", e é um mimo. Convenceu-me logo pelo nome, e foi uma pechincha. Porque eu virei vegetariana há coisa de um mês e 21 dias.

Continuando, fiz panquecas, arranjei duas mantas gigantes para fazer a cama mais fofinha, e passei o dia na cama a comer panquecas e a ver filmes e foi tão bom. Entretanto adormeci e acordei com o meu irmão a chegar a casa. Estranhei o facto de ele chegar tão cedo, até olhar para o relógio. Eram 14h30. Era para ter ido comer, mas o "idiota que se absteve de me fornecer um nome para si próprio no meu blog", (eu apresentei-o no post dos agradecimentos e afins), vamos passar a chamar-lhe Guilherme, lembrou-me que hoje é dia de fazermos inscrição em aulas. Para não adiar a coisa, despachei as inscrições todas na hora. Quando acabei, disse ao meu irmão que ia fazer almoço e perguntei se queria que fizesse para ele, ao que ele me responde que são 15h45 e que as pessoas normais não almoçam a essa hora. Por isso fui para a cozinha fazer massa com cogumelos e natas e muito muito queijo. Porque tudo é melhor com uma bela dose de queijo em cima.

Levei o almoço para a cama às 16h, vi mais uns filmes, tirei umas dúvidas ao pessoal do meu curso porque a maioria não sobrevivia na universidade sem mim, e como eu gosto de me sentir útil respondo a tudo menos às coisas extremamente estúpidas, e basicamente o meu dia foi isto. 

Eu sei que hoje é um post diferente dos desabafos de pânico do costume, mas achei que me deviam conhecer num dia mais ou menos normal.

Não que eu passe os dias a vegetabilizar, mas é assim que eu vegetabilizo.

Também gosto de fazer a fotossíntese às vezes, in case you're wondering.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Desespero

"Estou a desesperar.
A minha vontade é deixar-me cair no chão e esperar que alguém me leve para a psiquiatria.
Até esse parece um melhor sítio para estar neste momento. Aposto que têm aquecimento, não chove lá dentro, têm roupa seca e uma cama com o meu nome escrito.
Porque os medicamentos ao fim de três semanas não parecem fazer efeito, a ansiedade está a atingir novos recordes, e eu preciso de ajuda.
Estou há 10 minutos à chuva, ao vento e ao frio. Está escuro e tenho a sensação de que posso ser assaltada a qualquer momento, e nem as minhas técnicas de defesa pessoal me são capazes de salvar.
Não tenho forças, sinto-me fraca, tenho frio e uma estranha sensação no estômago. Talvez porque escrever num tablet à chuva numa rua escura é provavelmente pouco seguro. Mas ajuda. Escrever ajuda-me tanto.
Porque foi a única maneira de me expressar hoje, exceptuando o "está frio", "tenho fome", e "a medicação não deve estar bem doseada, porque eu não estou bem".
Vou agora procurar um sítio com wi-fi para publicar isto e talvez me abrigar enquanto espero por um transporte para casa."

Escrevi isto depois de sair da universidade, enquanto esperava pelo autocarro para casa.

Assim que cheguei caí morta no sofá. Fiquei a dormir até há coisa de hora e meia. Quando acordei sentia-me óptima.

Agora estou na cama, mas não consigo dormir. Entrei outra vez no mesmo estado de desespero, mas desta vez com pensamentos completamente diferentes.

Tenho medo de, um dia, chegar a um ponto tão extremo que considere o suicídio. Óbvio que não é esse o caso, ainda no meu estado mais lastimável continuo a dizer que suicídio é pura estupidez.

Mas e se um dia acordar e não quiser viver mais? E se esse dia chegar e eu não sentir que tenho alternativa? Tenho medo que esse dia chegue.

Amanhã edito isto, hoje foi só para desabafar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ansiedade

Ansiedade. Ansiedade ansiedade ansiedade.

Não saio de casa há dias. Habituei-me a este conforto. Mas amanhã é segunda-feira e eu tenho de sair de casa. E se às vezes sou capaz de fazer viagens de longos quilómetros, sair da minha cidade, sair do meu distrito, hoje estou numa bola de ansiedade porque amanhã tenho de sair de casa para ir à universidade.

Parece estúpido. Soa a estúpido. É estúpido, certo?

Tenho exame daqui a dois dias. Podia estar ansiosa quanto a isso. Mas não estou. Estou ansiosa porque amanhã tenho de me levantar cedo para sair de casa.

Ansiedade. Nem me deixa escrever nada coerente. Acho que vou ficar por aqui a escrever frases soltas até o comprimido fazer efeito.

Ou então vou fazer alguma coisa de útil. Manter-me ocupada. É capaz de ajudar, certo? Acho que sim.

Vou passar música nova para o telemóvel, é isso. Amanhã tenho um grande, longo, dia fora de casa. Vou ver pessoas. Vou falar com professores. I'll need some music to make it through the day.

Anxiety. Excruciating anxiety.

Quando fico ansiosa tenho tendência a falar inglês. Deeply sorry about that.

Ok, agora vou.

Desculpem qualquer coisa.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Agradecimentos e outras estimas

Aviso: este post contém linguagem possivelmente chocante para pessoas sensíveis, lá para o fim, e emoções fortes ao longo do texto que podem incluir choradeiras, soluços, ou lagriminhas no canto do olho. Mas isso é da minha parte, claro, eu é que atirei para aqui as minhas entranhas e expus tudo ao povo da internet. Ignorem isso.

Senti a necessidade de vir aqui agradecer a algumas pessoas que se revelaram verdadeiros amigos nesta fase por que estou a passar. Não só agora, mas especialmente agora. Agora que estou a precisar.

Como já disse anteriormente, vou usar nomes fictícios, porque tenho o dever de proteger a identidade deles. Não, não são o Bruce Wayne nem o Clark Kent. Mas são pessoas quase tão fantásticas como eles.

Duvido que venham ler isto, mas se/quando lerem, sei que vão saber que é a eles que me refiro.

À "Mafalda", porque sei que me percebe em todos os aspectos, obrigada.
Porque te lembras de mim do nada, a meio da época de exames, e páras de estudar para perguntar como estou.
Porque quando estou lixada com um professor quando saímos da aula meia hora depois do fim, de noite, me dizes "olha, que se foda". E isso alivia tanto a pressão.
Porque já passaste por quase o mesmo que eu passei, e sabes como isto é, sabes dar os melhores conselhos quanto a estas coisas.
Porque da última vez que falei contigo despediste-te com um "sempre que precisares de alguma coisa estou aqui, sim?", e isso soube mesmo mesmo bem. Obrigada.

À "Raquel", porque não preciso de dizer nada para ela perceber que preciso de um abraço, obrigada.
Porque quando mesmo eu não sei porque estou a chorar, tu sabes e dizes-me.
Porque és a única que me liga a horas inconvenientes para me falar de gajos, e para perguntar quantas colheres de açúcar levam as panquecas.
Porque já combinámos que mesmo que as coisas dessem para o torto entre nós, tudo o que sabemos uma da outra é confidencial e não vai a lado nenhum.

Ao idiota que se absteve de me fornecer um nome porque "lol, sei lá, mete o que quiseres", obrigada. Porque quando a minha cadela morreu naquele fatídico dia do teste de física e eu me senti morta por dentro, começaste imediatamente a mandar-me vídeos de gatos estúpidos sem ser preciso dizer nada, e só paraste quando eu estava bem.
Porque me chamaste maluca quando te disse que fui parar à psiquiatria, e depois me chamaste drogada quando te disse que ia começar a tomar os antidepressivos outra vez. E ainda hoje continuas a gozar com isso, e eu agradeço, porque não eras tu se não o fizesses.
Porque continuas a gozar comigo todos os dias por ser vegetariana e não acreditas que sou doida o suficiente para nunca mais comer carne na minha vida.
Porque falas comigo todos os dias, nem que seja para pedir que te resolva o exercício 2.14 para depois descobrires que afinal querias o 2.13.
Porque vais para a biblioteca fazer-me companhia quando te peço, mesmo sabendo que não vou estudar nada e não te vou deixar estudar.
Por tudo aquilo que me estou a esquecer mas me vou lembrar assim que publicar isto, obrigada.
Obrigada por tudo.

E finalmente, à pessoa que mais me mandou abaixo em 2013, que mais me desiludiu, que fez insinuações em frente a toda a gente em vez de me dizer o que queria dizer na cara, que nunca se abriu comigo, que num dos meus momentos mais frágeis em vez de me apoiar falou de uma "linda" amiguinha que, coitadinha, estava a passar pelo mesmo que eu, e merecia toda a atenção dela enquanto eu não mereci nada, nem um "estás bem?", nem um "estou aqui se precisares". Só te agradeço por não me fazeres perder mais tempo contigo.
A ti, estimo bem que te fodas.

Espaço para Viver

"(...) both pleasure and devotion require a stress-free space in which to flourish and I'd been living in a giant trash compactor of nonstop anxiety." - Elizabeth Gilbert, in Eat, Pray, Love

Hoje vi o Alta Definição, na SIC. No geral, acho um óptimo programa, não só pelo respeito que se sente ali entre o entrevistador e o convidado, mas também porque podemos conhecer muito mais a fundo a pessoa que é aquele actor/cantor/personalidade, de uma forma que apenas seria possível ao conhecer pessoalmente as pessoas que por lá passam.

Muitas vezes, reparo que os convidados se escondem um pouco por trás da máscara que usam todos os dias, mas hoje o Miguel Guilherme chegou até mim de uma forma que muito pouca gente chegou. Um homem que conheço apenas de vista na TV, nem faço ideia que teatros/novelas/programas fez, ou qual o melhor trabalho dele até agora, foi capaz de, num programa de televisão, revelar-se a si e fazer os espectadores revelarem-se a si mesmos.

Não vou poder falar muito sobre a entrevista, até porque para a analisar mais a fundo tinha de esperar que saísse o vídeo no site ou que alguém o publicasse pela internet, mas devo dizer que me inspirou a continuar a viver. E digo aqui 'viver' como viver de olhos abertos, viver mesmo os momentos, não simplesmente passar por eles e chamar-lhes vida.

Ele disse as coisas que os psicólogos e psiquiatras e médicos e amigos e familiares já me disseram mil vezes, essas mesmas coisas que eu digo a mim mesma todos os dias, mas ele não se limitou a dizê-las. Ele convenceu-me delas. Nunca nenhum psicólogo ou psiquiatra ou médico ou amigo ou familiar me foi tão convincente.

É por estas e outras razões que acho que este blog me está a fazer bem. Talvez a pessoa mais improvável no mundo possa passar por aqui, ler isto, identificar-se com o que eu escrevo, e mudar a minha vida.
Talvez seja essa improvável pessoa a acabar com a bola compactada de stress e ansiedade que ocupa o espaço que a vida precisa para ser bem vivida.

Ou talvez eu descubra que tal pessoa não existe no mundo lá fora, mas sim dentro de mim.