"Estou a desesperar.
A minha vontade é deixar-me cair no chão e esperar que alguém me leve para a psiquiatria.
Até esse parece um melhor sítio para estar neste momento. Aposto que têm aquecimento, não chove lá dentro, têm roupa seca e uma cama com o meu nome escrito.
Porque os medicamentos ao fim de três semanas não parecem fazer efeito, a ansiedade está a atingir novos recordes, e eu preciso de ajuda.
Estou há 10 minutos à chuva, ao vento e ao frio. Está escuro e tenho a sensação de que posso ser assaltada a qualquer momento, e nem as minhas técnicas de defesa pessoal me são capazes de salvar.
Não tenho forças, sinto-me fraca, tenho frio e uma estranha sensação no estômago. Talvez porque escrever num tablet à chuva numa rua escura é provavelmente pouco seguro. Mas ajuda. Escrever ajuda-me tanto.
Porque foi a única maneira de me expressar hoje, exceptuando o "está frio", "tenho fome", e "a medicação não deve estar bem doseada, porque eu não estou bem".
Vou agora procurar um sítio com wi-fi para publicar isto e talvez me abrigar enquanto espero por um transporte para casa."
Escrevi isto depois de sair da universidade, enquanto esperava pelo autocarro para casa.
Assim que cheguei caí morta no sofá. Fiquei a dormir até há coisa de hora e meia. Quando acordei sentia-me óptima.
Agora estou na cama, mas não consigo dormir. Entrei outra vez no mesmo estado de desespero, mas desta vez com pensamentos completamente diferentes.
Tenho medo de, um dia, chegar a um ponto tão extremo que considere o suicídio. Óbvio que não é esse o caso, ainda no meu estado mais lastimável continuo a dizer que suicídio é pura estupidez.
Mas e se um dia acordar e não quiser viver mais? E se esse dia chegar e eu não sentir que tenho alternativa? Tenho medo que esse dia chegue.
Amanhã edito isto, hoje foi só para desabafar.
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