sábado, 8 de fevereiro de 2014

Olá, como têm passado?

Olá pessoas que vêm aqui parar por acaso e fecham logo o blog.
Olá pessoas que vêm aqui parar por engano.
Olá pessoas que deram com isto por acaso e até se decidiram a ler alguma coisa.
Olá pessoas que vieram aqui propositadamente ler alguma coisa.
Olá pessoas que me pediram o link para aqui e me conhecem e se preocupam comigo.
Olá.

Nos últimos dias não tenho sentido muita necessidade de vir aqui escrever. Nem hoje sinto, mas acho que vos devo algum sinal de vida. Não sei se alguém reparou, mas mudei a descrição do blog. Acho que é capaz de afastar menos pessoas assim. Nem sei se alguém lê mesmo isto, mas o blogger diz que tenho 99 visualizações este mês, e suponho que nem todas sejam minhas, até porque lhe disse para parar de me contabilizar como uma pessoa querida e fofinha que vem ao meu blog. Mas mesmo assim, volto a repetir, acho que vos devo pelo menos um sinal de vida.

(Um aparte aqui: eu imagino-vos como uma grande multidão à minha frente, sentados a observar-me, enquanto eu estou num palco a escrever estas coisas numa máquina de escrever daquelas antigas. Por acaso é o salão do centro paroquial da minha terra, acho que é parecido. E estamos todos em silêncio enquanto eu escrevo, porque estão a ler em tempo real. E assim não preciso de chorar, soluçar, ou sequer corar enquanto digo as coisas que aqui digo. Porque eu escrevo-as e vão directamente para as vossas mentes. E apesar de estar num palco à vossa frente, não vêem as emoções por que passo enquanto escrevo. Acho que é um palco metafórico. Não sei. Deve ter algum significado no meu subconsciente. Não faço ideia. Adiante.)

Nos últimos dias tenho-me sentido bastante bem. Diria que é por estar de férias, mas normalmente quando estou de férias fico com mais tempo para pensar na vida, ergo mais deprimida. Suponho que os comprimidos estejam a começar a funcionar. Também já não era sem tempo, já lá vão 20 dias.

Hoje falei com o Guilherme sobre o nosso futuro como biólogos. Agora não me lembrava que nome lhe tinha dado, mas tenho quase a certeza que foi Guilherme. Anyway, falámos de estágios e trabalhos no estrangeiro. Os sonhos dele passam por estudar tubarões e tartarugas marinhas longe daqui. Eu já me conformei (mais ou menos) com o facto de que daqui a meia dúzia de anos todos os meus amigos da universidade vão estar espalhados pelo mundo a fazer contribuições (mais ou menos) importantes para a ciência. E então lembrei-me que enquanto eles vão estar a viver os sonhos deles em São Tomé ou no Brasil, eu provavelmente vou estar num hospital a fazer quimioterapia. Por isso fi-lo prometer que quando isso acontecer, ele larga as tartarugas e vem uma semaninha visitar-me. Ele diz que vem, e até vem com rastas no cabelo. Ri-me muito mas muito aí. Porque ele e rastas, nunca. Never ever ever.
Entretanto, não sei bem como, começámos a planear as nossas mortes. Eu já lhe disse e vou deixar escrito aqui: no meu funeral, quero os meus colegas de curso trajados, de luto. Pelo menos os que forem. Trajados. Porque a vida académica está a ser importantíssima para mim, e eu nem costumo sair à noite nem nada, limito-me a ir às praxes, jantares de curso, e a sentir a academia em mim quando ouço as tunas.
Porque
"Aveiro dos estudantes,
Vidas cintilantes,
Não vamos esquecer
Que seremos teus amantes
Até morrer
Até morrer
Até morrer."

Mas hoje senti-me bem. Senti o apoio do Guilherme, senti o apoio da Raquel, senti o apoio da Patrícia, que foi minha colega do secundário e ainda não vos apresentei mas hoje lembrou-se de mim.
E amanhã vou ligar à Isabel, que também não vos apresentei, mas é a minha responsável no centro onde faço voluntariado para ganhar a minha bolsa de estudo. Já não falo com ela há muito tempo, mas estou a precisar, porque ela sempre me disse que sempre que precisasse bastava dar-lhe um toque e improvisávamos uma "reunião de trabalho" num restaurante ou num café, e acho que ela não faz ideia de metade do que vai na minha vida neste momento, porque não vou ao centro desde que fechou para férias no Natal. Entretanto exames, vegetarianismo, psiquiatria, não falo com ela há eternidades. Amanhã ligo-lhe para combinar qualquer coisa, se ela tiver com quem deixar as filhas.

Mas mais uma vez são duas e meia da manhã e eu aqui. Tenho de criar uma rotina decente. Agora escrever vai ter de ser durante o dia, senão prolongo-me demais. Por isso agora vou acabar isto fazendo uma síntese rápida dos momentos da minha vida nos últimos dias: fiz uma lasanha gigante, ainda sobrou para amanhã; consegui horário para o 2º semestre, o que é um alívio; respondi a muitos mails e tratei de vários assuntos relativos à comissão de curso da minha licenciatura; vou escrever uma série de livros com o Guilherme sobre as nossas duas épicas personagens, mas falo mais disso num próximo post; tenho visto muitos filmes que me fazem pensar, e as minhas séries do costume para descomprimir. E pronto, acho que é isto. Já tenho texto aqui para me ausentar mais uns dias.

Obrigada por lerem tudo, ou por pelo menos tentarem.

A sempre vossa,
Mirabelle Scaffold

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